Memes = juventude?

É um erro acreditar que, ao se falar de Cibercultura estamos analisando um universo essencialmente jovem. Apesar destes serem talvez a mais importante fonte de público e conteúdo, é preciso ter a noção de que, como afirma Manuel Castells, o mundo da internet é tão multifacetado quanto o mundo real (1999,48).

O que acontece é que “A produção social é estruturada culturalmente, e a internet não é exceção. A cultura dos produtores da Internet moldou o meio.” (Castells, 2003,34) Sendo assim, quem se utiliza de um espaço na cibercultura está, simultaneamente, criando as bases para a expansão da mesma. Assim, a internet foi se construindo em uma estrutura de quatro camadas, intituladas de “a cultura tecnomeritocrática, a cultura hacker, a cultura comunitária virtual e a empresarial” (ibid). Apesar de ser compreensível que exista na cibercultura uma mescla entre todas essas camadas, a cultura memética que estamos analisando aqui tem por princípio a comunidade virtual, “já que ela acrescenta uma dimensão social ao compartilhamento tecnológico, fazendo da internet um meio de interação social seletiva e de integração simbólica” (Castells, 1999, 34-35).

Voltando ao conceito original de memes, “elemento não-físico que se utiliza do cérebro como artefato de replicação”, podemos entendê-lo dentro da cibercultura como uma expressão livre do modelo da comunidade virtual. Isto é, horizontal, sem controle central, que se forma de modo autônomo,e construída pelos próprios usuários a partir dos próprios interesses (Castells, 1999,49)

Entretanto, vale lembrar que a cultura memética, pelo menos na teoria, já existia há tempos na internet, e até mesmo fora dela, mas foi apenas nos últimos anos, com o potencial organizador do ciberespaço que as redes comunitárias surgiram conglomerando esse tipo de conteúdo.

Ao observarmos um 9gag, um Reddit, um Can Haz Cheezburguer e outros grandes portais meméticos, a quantidade de assuntos abordados é incrivelmente vasta, porém há uma clara preferência por assuntos da cultura pop. Levando em conta que, no geral, quem tem o tempo de sobra para assistir e discutir esses conteúdos na rede, além de serem a faixa etária que mais passa tempo na internet, são os jovens, pode-se suspeitar que, pelo menos por enquanto a cultura memética é sim jovem

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Memes e Open Source

  1. A tirinha acima é excepcional em seu resumo da vida cotidiana moderna, em especial a dos jovens. Ao menos aparentemente, inúmeras atividades que antes eram feitas através de outros dispositivos hoje giram ao redor do computador, em uma convergência de informações e de ações nunca antes vista na história das mídias e da cultura. No computador tanto vemos quanto fazemos, ao mesmo tempo em que temos acesso a tudo que os outros criam.

    Porém, é necessário pontuar que essa convergência não é apenas a união de múltiplas funções dentro de um aparelho, o que de fato acontece no computador e nos celulares. Ela representa também uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos” (Jenkins, 2008, 27-28).

    Isso leva a um aspecto muito interessante a respeito dos memes no geral. Eles, tal qual o sistema Operacional Linux, são um tipo de artesanato público. Assim como o Kernel, o núcleo do software do Linux, está livre e acessível a qualquer um que o queira usar e adaptar, o núcleo das Rage Comics, as Rage Faces (e os memes no geral), está disponível de graça para todos, no modelo que Eric Raymond chama de bazar, “do qual qualquer um pode participar da Internet, produzindo códigos.” (apud Sennet, 2010,35)

    A diferença aqui é que o propósito aqui não é minimizar os erros, os bugs que ocorrem no sistema, mas sim aumentar a diversão, produzindo novos códigos ou readaptando códigos já feitos para outros usos.

    O 9gag, um site portuário de conteúdos meméticos bastante famoso entre os internautas mais jovens funciona mais ou menos dessa maneira. Mal um assunto entra na Hot Page – onde aparecem as obras mais votadas pelos internautas – e rapidamente ela é readaptada e retrabalhada, dando margem para que um tema assuma proporções bíblicas, e, como um tornado, desapareça como que do nada. “O código está constantemente evoluindo, não é um objeto acabado nem fixo. Existe (…) uma relação quase instantânea entre a solução de um problema a detecção de problemas” (Sennet, 2010,36).

  2. Um exemplo razoavelmente recente dessa convergência midiática é o Meme Ridiculously Photogenic Guy, que rapidamente invadiu outras mídias, criando inclusive derivativos. Após o vídeo em si “bombar” na internet e a referida frase começar a cair no gosto popular, outras mídias menos interativas, como a televisão e o rádio, se interessaram pelo assunto, criando assim novas conexões com um produto de origem diferente, aumentando a própria validade deste, que no ciberespaço não seria extensa.

Cabra da peste

Versões caprinas de músicas famosas viralizam, para nossa alegria (mas não dos Gatos)
  1. por Leonardo Coelho
    Eu nunca soube que cabras gritavam que nem seres humanos, o que demonstra mais uma vez que eu sou um garoto de cidade, e não sei nem um décimo de biologia animal do que eu imaginava saber. Tanto Animal Planet na adolescência por nada. Se bem que nesses canais passam muita pouca coisa sobre caprinos e outros animais de criação, como bois, burros, ovelhas etc. Por que será? É preconceito? Haveria um complô dos gatos e cães para desmerecer seus colegas mamíferos? Veja essa sexta no Globo Repórter…Idiotices à parte, eu sabia tão pouco sobre as cabras que achei durante muito tempo que bode fosse uma espécie separada, ainda que da mesma família. Mas não, o Bode é o marido da Cabra, e casal não poderia estar mais orgulhoso de seu sucesso “nas internets” atualmente
  2. Taylor Swift – I Knew You Were A Goat When You Walked In (ORIGINAL)
  3. O mais novo capítulo dessa empreitada caprina para desbancar os gatos do coração dos internautas começou no dia 9 desse mês, quando o usuário GOOSIK lançou o vídeo acima, adaptando a canção da sempre-igual Taylor Swift aos doces e harmonicamente suaves balidos de uma bela cabra alva-amarronzada de nome Jennifer.Em questão de dias, o “mashup” cresceu aos gostos do público, e hoje tem impressionantes 700 mil visualizações e inúmeras outras versões, além do amor dos internautas (Indústria fonográfica, se liga).
  4. RT @Ravkudhail: Taylor Swift – I Knew You Were Trouble Goat Edition youtube.com/watch?v=cpfQSqf… via @youtube the songs been stuck in my head all day
  5. Convinced the best way to mend a broken heart is to watch every “goat edition” of Top 40 songs possible.
  6. It is not normal how hilarious I found the goat edition songs on youtube
  7. Si no has visto I knew you were trouble goat edition no se que haces con tu vida
  8. Tweets a parte, ficou claro que tal brincadeira funcionou humoristicamente, bem melhor por exemplo que a boçalidade do Harlem Shake, que me parece ser nada mais que uma desculpa – normalmente de gente de classe média – para se comportar como um idiota por alguns segundos ao mesmo tempo em que se sente parte de algo infinitamente maior…e mais imbecil.Irritações pessoais à parte, desde o inferno que foi Gangnam Style e seus subprodutos meméticos eu não via algo tão interessante e engraçado, pra ser mais específico desde essa cena impagável aqui:
  9. De Cavalos para cabras, da tropa ao fato (lembram dos coletivos?), o importante é que o reinado dos gatos, ainda que incontestável até agora, está sendo ameaçado. Como?Vejamos bem, os gatos, apesar de serem ultrafofoscuticuticutiómeudeusquelindo, eles claramente não possuem talentos fora isso: Serem ultrafofoscuticuticutiómeudeusquelindo. Observe um gato cantando e você perceberá que aquela boquinha fofis obviamente não foi feita para cantar.
  10. Enquanto esse pobre felino expõe sua voz de esquilo com mal de parkinson, temos, agora às centenas, diversas cabras mostrando seu vozeirão de diva, melhorando inúmeras canções medíocres para o bem dos nossos ouvidos.Na verdade, a máfia dos gatos sobrevive graças ao poder de hipnose desses animais sobre os humanos, que acabam inconscientemente perpetuando esse status quo na internet. Às cabras, nada mais resta que o talento, já que não lhes foi dada beleza física.É por essas e outras que eu torço pelas cabras, e seus respectivos maridos, na sua luta para conquistar o coração dos internautas. Ao invés de Nyan Cat, Nyan Goat!!!!!!

Como se resignar na internet…

  1. Estou vendo cada vez mais esse meme entre os zilhares de outros memes que impregnam a internet com seus traços toscos, e tenho que dizer que estou adorando ele, apesar de nao entender exatamente o porquê disso.Contudo, por ser um jornalista/blogueiro com muito trabalho pra mostrar ( para efetivamente conseguir um trabalho fixo e assim mostrar mais trabalho para mostrar) eu preciso sair da minha concha de autoproteção contra críticas e efetivamente explicar as coisas. Uma delas é justamente o por quê deu ter gostado tanto desse meme especificamente.Pra falar a verdade eu adoro os memes em geral. Caso não acredite em mim veja minha monografia de conclusão da Pós-Graduação intitulada “Não estamos mais tão forever alone” e leia por você mesmo caso tenha tempo e saco de fazer isso (mas juro que é fácil de entender, não é como se fosse um tratado filosófico sobre Heidegger ou algo parecido). Mas enfim, eu gosto de memes e tenho-os estudado há algum tempo.

    Esse meme na verdade é uma Rage Face, que é usada em diversas Rage Comics, ou tirinhas de raiva, em uma tradução bem porca e pouco inteligente, ainda que literal. Eis um exemplo dessa Rage Face em ação pra deixar o clima mais leve.

  2. Como podemos ver, os dois fãs azarados/sortudos que venceram o tal concurso estão lá no fundo, provavelmente pensando “Oh meu deus, estou em um clipe do Coldplay” ao mesmo tempo em que, lá no fundo da alma estão xingando todas as gerações do Chris Martin, dando mais força a estereotipizações de sua música, como essa aqui por exemplo, que é engraçadissima.
  3. Na verdade, essa história é falsa, pelo menos é o que descobri após fazer uma extensa apuração de cinco minutos com o quase sempre “infalível” wikipedia.  Minha intenção desde o começo era colocar a tirinha era ter uma justificativa para colocar o video do Jon Lajoie sacaneando o Chris. Espero que tenham rido um pouco.(só pra constar, nao tenho nada contra a banda, tenho apenas contra fãs xiitas)Independente de imaturidades de minha parte, o enredo da tira faz com que a Rage Face funcione perfeitamente, dando uma perfeita noção de como o “it´s something” é usado pelos desocupados  internautas , e pior ainda, para aqueles desocupados que escrevem sobre isso.A primeira impressão que tive quando o vi é que ele era muito parecido com o “Everything went better than expected“.

  4. Todavia nessa Rage Comic há um final feliz após um início tenso e dramático (não há nada que exemplifique mais isso que uma gaveta cheia de meias emboladas e soltas), ao contrário do “It´s something”, que normalmente tem um final neutro após um começo promissor, tanto negativa quanto positivamente. “Não saiu como o esperado, mas também não foi horrível” é frase que melhor carrega esse conceito imprescindível para sua sobrevivência em sociedade. Falo sério! Acho que é por isso que gostei tanto desse meme.Sua poker face unida ao grand jeté configura uma resignação contida e feliz, coisa que todos nós precisamos aprender a fazer, principalmente quando não temos muita opção para resolver a situação. Fazer o quê né? Nossa querida Marta suplicy deu um ótimo conselho quanto a isso.Imagino que outro meme, o “Close Enough“, também chegue perto do sentido do “It´s something”, porém este parece estar ligado mais a uma situação na qual se chega a um resultado positivo, ainda que não o desejado. Mas isso é assunto pra depois. Chega de análises de memes. Vamos ver outro vídeo sacaneando o Coldplay. Até depois pessoal

    Le Derptólogo

Are Rage Comics Really Comics?

Uma interessante – mas infelizmente pequena e superficial – discussão acerca das Rage Comics.

A couple of years ago, some of my undergraduate students and I were talking about comics, and one of them mentioned rage comics. I hadn’t heard of that before, so I was grateful to learn about them. In the interest of full disclosure, I am not a Redditor, and I don’t ever spend time on Reddit. But in August 2012, when I finally upgraded to a smart phone from my previous dumb phone, I downloaded the Rage Comics app. Every now and again, when I’m on the bus headed to work, I scroll through some of these comics.

Most of the time, rage comics convey exaggerated levels of emotion regarding an event or a situation. The following comic captures this relationship very clearly. A common situation (somebody is trying to sleep) becomes annoying (a single cricket chirping) and prevents the person from accomplishing a goal (getting a good night’s rest)…

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